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ORISÁS

ÈSÙ

Ère Èsù

Èsù é um Òrìsà de grande importancia entres os Yorùbá. Por ser muito corajoso e esperto, é considerado maior do que os outros Òrìsà, e nunca é esquecido por seus cultuadores que, a fim de aplacar sua ira, fazem-lhe as oferendas de alimentos sempre em primeiro lugar. Pode ser maldoso a qualquer momento, sendo por isso chamado de Buruku (qualificação maligna).

Os Yorùbá acreditam que ele sempre carrega um objeto chamado Agongo Ogo, com o qual realiza suas maldades. A imagem de Èsù é feita de um conjunto de pedras (Yangi). Fazem-lhe sacrifícios para mantê-lo em frente de casa, mas sua imagem jamais é mantida no interior do lar, sob pena de amaldiçoar a família.

É comum oferecer a Èsù, entre outros, bodes (Òbúko), azeite-de-dendê (Epò Púpà), galos (Àkùko), caracóis (Ìgbín), acaçá e Obí. Sobre sua imagem (Ère) colocam-se azeite-de-dendê (Epò Púpà) e sangue de animal ( Èjè), simbolizando seu banho por essas substâncias. Èsù é inimigo de alguns Òrìsà. A fim de incitá-lo à maldade contra alguém, coloca-se sobre sua imagem (Ère) um óleo denominado adí e um bilhete contendo o nome da pessoa contra quem se pratica o feitiço. Pessoas pedem também fecundidade a esse Òrìsà. Conseguindo-a, dão a seus filhos nomes que incluem o de Èsù, tais como Èsùtosin (É bom cultuar Èsù), Èsùbìyí (Nascido de Èsù) etc. Èsù possui também outros nomes, como Elégbára, Elégbáa, Leégbá.

As cidades onde se cultua Èsù são: Ondo, Ilesa, Ijebu, Abeokuta e Ekiti. Há cem anos atrás costumava-se sacrificar seres humanos em homenagem a Èsù, pratica hoje abandonada.

ÒGÚN

Ère Ògún

Ògún é o Òrìsà do ferro. Qualquer coisa feita desse metal lhe é atribuído, e todo ferreiro o cultua. A mãe de Ògún se chama Tabutu e seu pai Ororinna. Ògún era um caçador de grande fama. De acordo com as lendas, no começo do mundo os Òrìsà tentaram atravessar uma selva sem sucesso. Òòsàálá foi o primeiro a tentar abrir o caminho, mas sua espada se quebrou por falta de resistência. Por fim, foi Ògún que conseguiu abrir passagem com seu facão.
Ògún gostava de brigar e de caçar animais. Devido a seu gosto pela caça, trocou a cidade de Ifé pela selva. Mais tarde retornou a Ifé, mas finalmente partiu para a cidade de Ire, região de Ekiti, de onde surgiu sua designação de Ògún Onire.

Lá recebeu comida e vinho de palmeira e ajudou o povo em tempo de guerra. Festeja-se Ògún entre os meses de julho e agosto, suas comidas são: Ajá (cachorro), Iiyan (pirão de inhame), Àkùko (galo) e Obì. Sua bebida é o emu (vinho de palmeira). Sua roupa é o màrìwò.

No santuário de Ògún em cada cidade, sete cães são mortos como sacrifício ao Òrìsà por ocasião da sua festa, que dura sete dias. Ao contrário do que se pensa, não existem sete diferentes Ògún. Na verdade, ele possui sete apelidos, que lhe foram dados nos sete lugares por onde passou, que são:
1) Ògún Alara
2) Ògún Onire
3) Ògún Ikole
4) Ògún Elemona
5) Ògún Akirum
6) Ògún Gbenàgbenà
7) Ògún Makinde


As cidades onde se cultua Ògún são: Ilá, Ire, Ilesa, Ondo, Ifé, Ikirun e Akure.

NGÓ

Ère Sòngó

Diz-se que ngó foi o primeiro rei de Oyo, Guerreiro, impôs sua força a várias populações. Atribuía-lhe a habilidade de realizar feitiços, o que era insólito mesmo para um rei Yorùbá. Elaborou planos contra inimigos. Em certa ocasião, desejoso de experimentar sua pirotécnica, acabou incendiando seu próprio palácio.

Devido à sua irresponsabilidade, ngó foi expulso de Oyo por seu próprio povo. Não podendo contar com seus amigos, partiu para o exílio em companhia somente de suas esposas. Uma delas não teve coragem de concluir a viagem e, abandonando seu marido, foi para Ira, sua cidade nativa. Envergonhado da situação que criara, ngó enforcou-se. A notícia de seu suicídio logo atingiu a cidade de Oyo.
Embaraçados, os amigos de ngó decidiram dar fim ao escandalo. Para tanto, causaram uma série de incêndios na cidade, colocando material inflamável nos tetos das casas. Alarmado, o povo viu no fogo uma vingança de ngó, em cuja morte não acreditou. Na realidade, os populares não sabiam que o fogo, causado durante uma trovoada, fora um artifício para levá-los a venerar ngó.

Houve, há muito tempo, uma aldeia perto de Oyo, chamada Koso, que servia de centro de culto a ngó. Quando se transferiu Oyo para outro local, transferiu-se igualmente o centro do culto. Mas era aquela aldeia que sobrevivia a lenda de ngó.

Ainda segundo a tradição, Oya, esposa favorita de ngó, morreu ao saber do enforcamento do marido. Do local em que morreu surgiu grande quantidade de água, que se transformou no rio Oya. O mesmo aconteceu com Òsun, que originou o rio de mesmo nome, localizado na cidade de Osogbo.

ÒÒSÀÁLÁ

Segundo a tradição, Òòsàálá desfruta de situação de Òrìsà máximo. Chama-se também Obàtálá, que significa "Rei Maior". Deus o teria criado antes de todos os outros e lhe teria dado o poder de auxiliar na criação dos seres humanos.

Enquanto Deus faria os corpos brutos, Òòsàálá faria os olhos, os narizes, as orelhas e outras partes dos corpos. É também chamado de "Ate-re-re-kaiye, Olódùnmarè".
Os Yorùbás rezam para que Òòsàálá favoreça as mulheres grávidas e, para agradá-lo, entoam canções especialmente em sua honra:

"Eni s'oju s'emu (A pessoa que fez olho e nariz)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)
Adani b'o ti ri
(Criou a pessoa como ela é)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)
Eni ran mi w'aiye
(A pessoa que me mandou para o mundo)
Òrìsà ni maa sin
(Òrìsà que vou cultuar)

Òòsàálá
não gosta de azeite-de-dendê, osùn, e de qualquer coisa vermelha. Seus sacerdotes e cultuadores usam roupa branca no dia de sua festa. As cultuadoras também usam turbantes e contas brancas. O Òrìsà, aliás, exige, tradicionalmente, não apenas alvuira na vestimenta mas também retidão nas pessoas.

A comida típica do Òrìsà é o pirão de inhame (isu) e molho feito de uma substância chamada Banha de Orí e caracol (Ìgbín) branco.

Coloca-se diariamente àgua de nascente em seu santuário, pintado com efun. A portadora da àgua deve necessáriamente ser uma moça virgem ou uma senhora que já não mantém mais relações sexuais. Ao trazer a àgua, a portadora vem tocando agogô, a fim de alertar a população da sua chegada. Durante o percurso ela não pode falar e ninguém deve lhe dirigir a palavra.

OBALÚWÀIYÉ

Obalúwàiyé é um Òrìsà considerado muito poderoso, a ponto de inspirar medo. Seus crentes acreditam que possa praticar inesperadas maldades. Devido aos malefícios praticados pelos sacerdotes guiados por esse Òrìsà, o governo proibiu, em decisão única, o seu culto.

Certo dia, Òrìsàlá ofereceu uma festa à qual convidou todos os Òrìsà. comeram, beberam e depois dançaram. Impossibilitado de dançar devido a seu problema fisíco, envergonhou-se e retirou-se. Mais tarde voltou, e resolveu empreender uma dança. Desequilibrando-se, caiu, o que levou os outros Òrìsà a rirem dele. Enfurecido com o escárnio, começou a bater em todos com sua bengala, que Òòsàálá, entretanto conseguiu lhe tomar. Desarmado, Obalúwàiyé fugiu e todos os presentes correram atrás dele. Refugiou-se na selva, motivo pelo qual seu santuário também se localiza na selva.

Não há período estabelecido para o culto a Obalúwàiyé. As pessoas o veneram quando são acometidas de varíola. Para curar-se da doença, vão até seu santuário e oferencem-lhe sacríficios.

ÌBEJÌ

Ìbejì é o Òrìsà dos gêmeos. Da-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra ao Òrìsà .

As comidas típicas de Ìbejì são: feijão fradinho, acaça, cana-de-açucar, frangos etc.

No dia de sua festa, os pais entoam a seguinte canção:

"Epo mbe, ewà mbe o (Tem azeite-de-dendê, tem feijão)
Aiya mi ko ja, o ye (não tem mêdo, sabe)
aiya mi ko ja (não tem mêdo)
Lati bi Ìbejì (para ter Ìbejì)
Epo mbe, ewà mbe o (Tem azeite-de-dendê, tem feijão)"

EGÚNGÚN (Orixá dos mortos)

Os Yorùbá chamam Egúngún, Òrìsà dos mortos, de Ara-Orun-Kinkin isto é, pessoa vinda do céu. Por acreditarem que os mortos se mantêm perto dos vivos, fazem rituais em sua homenagem, ocasião em que os Egúngún vêm à Terra.

Graças à vinda de Egúngún os Yorùbá acreditam que o relacionamento entre os vivos e os mortos será eterno. Por isso, cada família possui um Egúngún específico como objeto de culto, que representa uma pessoa forte já falecida. O nome do Egúngún de cada família é, portanto, diferente.

O lugar de onde provêm os Òrìsà dos mortos se denomina Igbalé. Acredita-se que eles venham para o mundo vestindo ou uma roupa de màrìwò (folha da palmeira) ou peles de animais. Escondem seus rostos e seus corpos para evitar que alguém os confunda com ser humano normal.

Não é permitido tocar um Egúngún no dia do ritual em sua homenagem. As mulheres estão proibidas de olhar para certos Egúngún, sob o risco de morrerem na mesma hora. As festas em honra a Egúngún duram de 3 a 7 dias, durante os quais se oferecem dinheiro, animais, Obì (tipo de noz) e outros objetos considerados bons para atrair a simpatia do Òrìsà.

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Confira aqui a entrevista da visita do rei ao Brasil.

 
 

 
 


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